Estratégias não farmacológicas utilizadas no manejo comportamental em consultórios odontológicos: estudo de coorte
Bárbara Borelli BIZERRA, DjessycanMIRANDA-E-PAULO, Carlos FLORES-MIR, Maisa Costa TAVARES, João Marcos da Costa RIBEIRO, Rui Barbosa de BRITO-JUNIOR, Rafael Rodrigues LIMA, Luiz Renato PARANHOS
Resumo
Introdução: Indivíduos com transtornos comportamentais, como o transtorno do espectro autista (TEA), frequentemente enfrentam dificuldades durante atendimentos odontológicos devido à ansiedade, hipersensibilidade sensorial e limitações na comunicação. Diante disso, técnicas não farmacológicas têm sido utilizadas para promover a cooperação e reduzir a ansiedade nesse contexto clínico. Objetivo: Este estudo buscou avaliar a efetividade de intervenções comportamentais individualizadas não farmacológicas na colaboração de pacientes com distúrbios comportamentais durante procedimentos odontológicos preventivos. Método: Foi realizado um estudo retrospectivo de coorte em um hospital odontológico público entre janeiro de 2018 e janeiro de 2025. A amostra incluiu pacientes diagnosticados com transtornos comportamentais que completaram ao menos três sessões de condicionamento. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, número de sessões, tempo de condicionamento e prevalência de falhas na intervenção. Resultado: A maioria dos participantes era do sexo masculino (80,4%) e tinha diagnóstico de TEA (80%). O tempo mediano de condicionamento foi de três sessões. Interrupções no tratamento e menores intervalos entre consultas estiveram associados a um número significativamente maior de sessões necessárias (p<0,05). Antes da intervenção, apenas 3,9% realizaram o uso do fio dental, enquanto após a intervenção esse número subiu para 90,6%. Técnicas como reforço positivo, materiais visuais e estratégias estruturadas demonstraram eficácia na modificação do comportamento e na adesão aos procedimentos. Conclusão: Podemos concluir que intervenções comportamentais não farmacológicas individualizadas são eficazes para promover a cooperação em pacientes com transtornos comportamentais, especialmente em contextos preventivos. A continuidade do tratamento e o planejamento estratégico das consultas foram fundamentais para poder reduzir o tempo de condicionamento e melhorar os desfechos clínicos.
