Cistos radiculares com infecção secundária: relato de dois casos clínicos
Luna Maria de Oliveira SALUSTIANO, Naiara Alves MAREGA, Rafaella Luiza Bergamaschi DE CARLI, Elaine Maria Sgavioli MASSUCATO, Andreia BUFALINO, Túlio Morandin FERRISSE
Resumo
Introdução: Os cistos radiculares ou periapicais são condições inflamatórias que se desenvolvem a partir da necrose pulpar e que, em alguns casos, podem apresentar maiores proporções de acometimento. Objetivo: Relatar dois casos clínicos sugestivos de cistos radiculares com infecção secundária, destacando as suas manifestações clínicas, exames de imagem e condutas terapêuticas empregadas. Conduta clínica: Paciente, sexo feminino, 21 anos, de cor de pele branca, procurou o serviço de atendimento com queixa principal de “bola de pus no céu da boca”. Relatou que estava com essa lesão há mais ou menos 2 anos e não apresentava dor espontânea. Ao exame físico, notouse drenagem de secreção purulenta na região vestibular do rebordo alveolar anterior esquerda (região do dente 22-23). Realizadas radiografias periapical, oclusal e panorâmica que demonstram área radiolúcida circundada por halo radiopaco e dens-in-dente no dente 22. O segundo caso é de uma paciente, sexo feminino, 26 anos, cor de pele amarela, que procurou atendimento com queixa de “pelota no céu da boca”, com 3 anos de evolução. Sente tonturas, dor de cabeça e com dificuldades de se alimentar. Ao exame clínico observou-se edema em palato e relatou ainda que quando aumenta o edema, ela usa antibióticos e melhora. Solicitou-se radiografia panorâmica e total de maxila que apresentaram área radiolúcida circunscrita, com halo radiopaco. O diagnóstico sugestivo de ambas as pacientes foi de cisto radicular com infecção secundária. Os pacientes foram medicados e encaminhados para realizar tratamento endodôntico e enucleação cística. No início do desenvolvimento da pesquisa, ambas as pacientes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), requisito ético indispensável. Resultado: Em ambos os casos, as pacientes apresentaram lesões radiolúcidas circunscritas com halo radiopaco, associadas a sintomas locais e recorrência do quadro infeccioso. O diagnóstico sugestivo foi de cisto radicular com infecção secundária, sendo indicados tratamento endodôntico e enucleação cística, com evolução clínica favorável após a conduta estabelecida. Conclusão: Alguns cistos podem exceder de tamanho e causar expansão óssea especialmente em casos de infecção secundária. Os cistos radiculares, apesar de serem lesões benignas, às vezes exigem uma compreensão mais profunda que garanta um diagnóstico preciso para um tratamento eficaz.
