Abordagem conservadora de ceratocisto odontogênico mandibular: relato de caso com êxito terapêutico
Déborah Dayely Silveira de OLIVEIRA, Héric de Souza CAMARGO, Eduardo HOCHULI VIEIRA, João Vitor de Jesus GONÇALVES, Túlio Morandin FERRISSE, Marcelo Silva MONNAZZI
Resumo
Introdução: O ceratocisto odontogênico é um cisto de desenvolvimento que representa cerca de 10 a 14% dos cistos mandibulares. Desde 2017, a OMS o classifica como cisto odontogênico de desenvolvimento, nomenclatura mantida na revisão de 2022. Possui comportamento potencialmente agressivo e acomete preferencialmente indivíduos entre a segunda e quarta décadas, com discreta predileção pelo sexo masculino (3:2). A localização mais comum é na região de molares e ramo mandibular. Radiograficamente, lesões iniciais se apresentam como áreas radiolúcidas uniloculares e bem delimitadas. Lesões extensas podem ser multiloculares, com expansão e afinamento da cortical óssea. Objetivo: Relatar um caso de ceratocisto odontogênico tratado por marsupialização com dispositivo de descompressão, com desfecho favorável. Conduta clínica: Paciente leucoderma, 50 anos, sem comorbidades, foi encaminhada ao Serviço de Medicina Bucal com suspeita de lesão cística mandibular direita, de crescimento rápido e assintomática. Ao exame, notou-se aumento de volume firme e amarelado em região de pré-molares. Radiografia revelou área radiolúcida com expansão da tábua óssea vestibular. Consideraram-se como hipóteses diagnósticas: ceratocisto, cisto periapical e ameloblastoma. A paciente foi encaminhada à Traumatologia Bucomaxilofacial, onde se realizou biópsia incisional, marsupialização e exame citopatológico, que confirmou ceratocisto. Foi instalada uma sonda Foley como dispositivo de descompressão, resultando na formação de cortical óssea basilar, sem necessidade de placa. A paciente permanece em acompanhamento, com quadro estável e termo de consentimento assinado. Conclusão: O caso demonstra a eficácia da abordagem conservadora com marsupialização e descompressão, permitindo regressão da lesão, formação óssea e estabilidade clínica, evitando cirurgia invasiva. O seguimento contínuo é essencial para prevenir recidivas.
