Procedimentos de biópsia no atendimento odontológico a pacientes de transplante da Faculdade de Odontologia da UFMG
Sônia Chaves dos Santos JARDIM, Marina Rocha Fonseca SOUZA, Felipe Paiva FONSECA, Maurício Augusto Aquino de CASTRO, Leandro César Silva CONTARINI, Patrícia Valente ARAÚJO, Rafael Paschoal Esteves LIMA, Rodrigo Keigo Lopes NAKAGAWA, Ana Maria Rebouças RODRIGUES, Gustavo Henrique de Mattos PEREIRA, Larissa Marques BEMQUERER, Ricardo Santiago GOMEZ
Resumo
Introdução: Pacientes de transplantes podem apresentar lesões orais como consequência das condições primárias de saúde e/ou da doença de enxerto contra hospedeiro. Um exame anatomopatológico pode ser necessário para a conclusão do diagnóstico e realização do tratamento, e por isso o número de biópsias realizadas pode ser uma forma de monitorar a ocorrência destas lesões em pacientes de transplantes. Objetivo: Avaliar a frequência de biópsias no Programa de Assistência Odontológica a Pacientes de Transplantes da Faculdade de Odontologia da UFMG, que oferece atendimento odontológico integral a pacientes candidatos a receber transplantes ou transplantados de medula óssea (TMO), fígado (TF), rins (TR) e coração (TC), encaminhados pelo Hospital das Clínicas da UFMG e da pela Santa Casa de Belo Horizonte. Método: A realização de biópsias foi avaliada por meio de um levantamento no banco de dados do Programa de 2002 a 2024, em relação às variáveis sexo, idade (categorizada em: <=25, 26-40, 41-55 e 56+), tipo do transplante e fases pré- ou pós-transplante. Os dados foram analisados por estatística descritiva e teste qui-quadrado (P>0,05). Resultado: Um total de 245 biópsias (24,3%) foram realizadas em 1007 pacientes. Não houve relação estatisticamente significante com a variável sexo. Entre as categorias de idade, os procedimentos de biópsia foram significativamente mais frequentes nas faixas etárias 26-40 (39,2%) e <=25 (33,3%) (P<0,001). 235 biópsias foram realizadas nos pacientes de TMO, uma frequência bem maior neste grupo (38,3%) do que nos de TF (2,4%), TR (2,3%) e TC (5%) (P<0,001). Em relação à fase de tratamento, os pacientes pós-transplante tiveram mais biópsias realizadas (46,7%) do que os pré-transplante (12,5%) (P<0,001). Conclusão: A frequência de biópsias foi independente do sexo, mas foi maior em pacientes de até 40 anos, de transplante de medula óssea e na fase póstransplante. Este estudo sugere a necessidade de maior atenção para ocorrência de lesões orais nesse perfil de paciente.
