Análise quantitativa de lesões cervicais não cariosas e desgaste oclusal: estudo clínico com um acompanhamento de 25 anos
Lizandra Esper SERRANO, Caroline Vieira MALUF, Carolinne Tamy Sepulvida RANGEL, Daniel de Moraes TELLES
Resumo
Introdução: O desgaste dentário está relacionado a uma etiologia multifatorial, caracterizada pela perda de tecido duro sem a presença de cáries, trauma ou malformações. A análise quantitativa e longitudinal dessas alterações é essencial para compreender sua evolução e fatores associados. Objetivo: Avaliar quantitativamente a progressão de lesões cervicais não cariosas (LCNCs) e desgaste dentário oclusal em um período de 25 anos, identificando fatores comportamentais e clínicos. Método: Aprovado pelo comitê de ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto sob o número do CAAE (Certificado de Apresentação de Apreciação Ética) 18257219.4.0000.5259, este estudo retrospectivo avaliou 33 adultos que responderam um questionário sobre hábitos orais, dieta e saúde. Moldagens obtidas na avaliação inicial e no acompanhamento após 25 anos foram realizadas nos participantes, e os modelos de ambos os períodos foram escaneados para obter modelos digitais e posterior análise em software 3D para medir a progressão das LCNCs e desgaste dentário oclusal. Resultado: Os molares superiores apresentaram maior largura (5,62 mm) e área (10,31 mm²) de LCNCs, e os pré-molares superiores, as lesões mais profundas (0,56 mm). A progressão das LCNCs foi associada a escovação vigorosa, ortodontia e tabagismo (p < 0,01). Bebidas ácidas aumentaram a altura das lesões (p = 0,002). O desgaste oclusal também se relacionou a escovação forte, ortodontia e tabagismo. Conclusão: A progressão das LCNCs e desgaste oclusal estão relacionados a fatores comportamentais e clínicos, com maior vulnerabilidade nos molares superiores. Além da importância do monitoramento a longo prazo e da prevenção focada em fatores modificáveis para o manejo clínico eficaz e tratamento conservador dessas condições.
