Cenário contemporâneo da relação entre periodontite (PE) e síndrome metabólica (SM): uma revisão de escopo
Ana Julia Alves de PAULA, Karine Franco PRONI, Bruno Trivelato RODRIGUES, Joelisa Azenha dos SANTOS, Emanuel Hideki Correia da Silva TAKASU, Gabriele Oliveira AMARAL, João Paulo Soares FRANCISCON
Resumo
Introdução: No contexto da medicina oral, a periodontite (PE) é amplamente estudada devido à sua associação com doenças sistêmicas. Isso se deve às alterações metabólicas e moleculares presentes em pacientes com PE, que podem favorecer o desenvolvimento de condições sistêmicas, como a diabetes mellitus. Por outro lado, doenças e condições sistêmicas que afetam o metabolismo também podem predispor ao surgimento da PE. A obesidade se destaca como um fator determinante para a síndrome metabólica (SM). Nesta justificativa, diversos estudos foram desenvolvidos para validar sua relação com a PE. À vista disso, é importante compreender as evidências na literatura que associam essas condições, a fim de um entendimento amplo sobre vias de ligação. Objetivo: Realizar uma revisão de escopo para analisar o cenário contemporâneo dos estudos que investigam a relação entre PE e SM. Método: Dois pesquisadores realizaram buscas na base de dados PubMed, utilizando descritores do DeCS em inglês, esgotando e filtrando artigos publicados nos últimos cinco anos sobre PE e SM. Um terceiro avaliador foi utilizado para desempate e extração dos dados. Resultado: Dos estudos selecionados, 50% avaliaram diretamente a relação entre PE e SM. Em 30% dos artigos foi realizada algum tipo de intervenção, e 10% apresentaram ensaios clínicos randomizados. Em relação ao delineamento, 50% foram transversais, 10% foram caso-controle, 10% revisões abrangentes e 10% estudos longitudinais. Estudos em modelos animais representaram 10% da amostra. Todos os estudos analisados concluíram, de forma direta ou indireta, uma relação positiva entre a PE e a SM. Conclusão: A literatura atual aponta para uma associação positiva entre PE e SM. No entanto, essa evidência é sustentada majoritariamente por estudos observacionais. Assim, destaca-se a necessidade de futuras pesquisas experimentais, especialmente ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas, que carecem na atual literatura e possam confirmar ou refutar achados atuais.
