Correção de mordida cruzada anterior por meio de pistas diretas planas em dentes permanentes: relato de caso
Ana Luiza Squillace BRESCANCIN, Marina Liuzzi PERSICILIO, Maria Eduarda Martins SILVA, Mariana Emi NAGATA, Luciana Tiemi Inagaki NOMURA, Gabriela Fleury SEIXAS, Rodrigo Hayashi SAKUMA
Resumo
Introdução: A má oclusão é o terceiro distúrbio bucal mais prevalente na população brasileira, afetando aproximadamente 66,7% das crianças aos 5 anos e 37,7% aos 12 anos. Dentre essas alterações, a mordida cruzada anterior possui incidência de 5,63% na dentição decídua e pode comprometer o desenvolvimento do sistema estomatognático, acarretando prejuízos estéticos, funcionais, mastigatórios, deglutitórios e fonéticos. Essa condição é caracterizada pela inversão do overjet fisiológico entre os incisivos superiores e inferiores, e sua tendência é de agravamento, especialmente pela ausência de guia de crescimento adequado da mandíbula. Objetivo: Diante da escassez de relatos na literatura sobre o uso de pista direta plana em dentes permanentes, este trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico de correção de mordida cruzada anterior por meio desta abordagem ainda na infância. Conduta clínica: Paciente do sexo feminino, com 7 anos e 6 meses, compareceu ao consultório com queixa de retenção prolongada dos dentes decíduos (51 e 61). Após extração, observou-se erupção palatina dos dentes 11 e 21 em relação aos seus antagonistas (31 e 41), indicando risco de mordida cruzada anterior. Considerando a necessidade de intervenção imediata e a limitação do tempo para ação de aparelhos ortopédicos, optou-se pela aplicação de pistas diretas nos dentes 31 e, posteriormente, 41. Resultado: Houve descruzamento dos dentes 11 e 21 após 3 meses de tratamento, com restabelecimento do trajeto eruptivo fisiológico e ausência de necessidade de aparelhos ortopédicos funcionais. Conclusão: O caso ressalta a importância da intervenção oportuna durante a dentição mista e o domínio da ortopedia funcional dos maxilares, permitindo intervenções eficazes, menos onerosas e evitando o uso de aparelhos removíveis. No caso apresentado, o descruzamento dos dentes 31 e 41 foi alcançado com sucesso, favorecendo o desenvolvimento fisiológico da oclusão.
