Reparo periapical pós tratamento endodôntico e saúde bucal de paciente oncológico com nível de estresse acentuado
Iasmin Moreira MELO, Rafael Araújo da Costa WARD, Leila Eunice Apse PAES, Letícia Ferreira dos SANTOS, Aline de Castro SANTOS, Rayana Duarte KHOURY, Amjad Abu HASNA, Marcia Carneiro VALERA
Resumo
Introdução: Fatores locais e sistêmicos influenciam o sucesso do tratamento endodôntico. Pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço apresentam alterações teciduais dentárias e periapicais, podendo comprometer a resposta terapêutica. Ainda, o estresse psicológico é uma condição comum e seu impacto ao tratamento endodôntico e às condições bucais ainda é pouco explorado na literatura. Objetivo: Avaliar a influência do estresse no reparo periapical e nas condições bucais de pacientes oncológicos submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço. Método: Após aprovação do CEP 7.389.203, paciente oncológico MRT do sexo masculino, 57 anos, previamente submetido à radioterapia de cabeça e pescoço, foi acompanhado entre 2023 e 2025. Em 2024, apresentou necrose pulpar e periodontite apical no dente 35. O paciente assinou o TCLE antes do tratamento, foi realizada tomografia computadorizada de feixe cônico e aplicado o questionário psicológico ISSL-R (inventário de sintomas de stress para adultos de LIPP). Na primeira sessão, realizou-se anestesia, isolamento, abertura coronária e preparo biomecânico com instrumento reciprocante e NaOCl 2,5%, seguido de irrigação final com NaOCl 2,5% e EDTA 17% sob agitação ultrassônica. O canal foi medicado e selado por 15 dias. Na segunda sessão, a medicação foi removida e na ausência de sinais e sintomas o canal foi obturado. Após um ano, o paciente foi reavaliado com nova tomografia e reaplicação do questionário de estresse. Resultado: O paciente não apresentou sintomas de estresse antes do tratamento, segundo o questionário psicológico. Um ano após, o estresse evoluiu para sintomas graves, e a saúde bucal do paciente mostrou acentuada piora. No entanto, verificou-se redução de 64,50% no volume da lesão periapical. Conclusão: Verificou-se correlação entre os níveis de estresse, a doença oncológica e a condição bucal, exigindo abordagem integrada entre saúde bucal e saúde mental; mesmo nessas condições, o tratamento endodôntico bem conduzido pode levar ao reparo periapical.
