Revascularização pulpar em pré-molar com dens invaginatus tipo II, rizogênese incompleta e periodontite apical
Carolyne Silveira da MOTTA, Lucas Peixoto de ARAÚJO, Nadia de Souza FERREIRA, Lucas Pinto CARPENA
Resumo
Introdução: Dens invaginatus ou dens in dente é uma anomalia dentária de desenvolvimento onde há uma invaginação do órgão do esmalte na papila dentária e frequentemente acomete os incisivos laterais superiores. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de revascularização pulpar como tratamento de periodontite apical assintomática associada à rizogênese incompleta em um dente com Dens invaginatus tipo II. Conduta clínica: Paciente do sexo feminino, 12 anos, foi encaminhada para avaliação endodôntica do segundo pré-molar superior esquerdo (25). Exames clínico, radiográfico e tomográfico confirmaram necrose pulpar e a presença de Dens invaginatus tipo II e rarefação óssea. O tratamento foi realizado em três sessões. Inicialmente, removeu-se a invaginação com desgaste ultrassônico na porção mesial do dente, utilizando inserto fino liso TRA 12 (Dental Trinks, São Paulo, Brasil). Na segunda sessão, realizou-se desinfecção química com 20 mL de NaOCl a 1% e 20 mL de EDTA, seguida da inserção de pasta triantibiótica composta por metronidazol, ciprofloxacino e minociclina. Após 21 dias, a medicação intracanal foi removida com soro fisiológico e, com lima manual, induziu-se sangramento periapical até a porção cervical, permitindo formação de coágulo sanguíneo. O selamento cervical foi feito com membrana de colágeno Lumina Coat (Critéria, São Carlos, Brasil) e cimento reparador Bio-C Repair (Angelus, Londrina, Brasil). Resultado: No retorno após 90 dias, a paciente apresentava-se assintomática, sem alteração de cor dental, e imagem radiográfica demonstrando reparo ósseo e início de fechamento apical pela porção distal da raiz. Conclusão: Este caso reforça os desafios impostos pela endodontia frente às anomalias do desenvolvimento dentário e destaca o potencial da terapia regenerativa para promover a preservação e funcionalidade de dentes imaturos, especialmente quando aliada a um diagnóstico preciso e uso adequado de tecnologias e protocolos baseados em evidência.
