Caso síncrono de paracoccidioidomicose oral, carcinoma espinocelular e hiperplasia fibrosa inflamatória
Giovanna FERRIELLO, Camila Metzner TRISTÃO, Carine Ervolino de OLIVEIRA, Sara Ferreira dos Santos COSTA, João Adolfo Costa HANEMANN, Evandro Monteiro de Sá MAGALHÃES, Leonardo Amaral dos REIS
Resumo
Introdução: Em 1933, Rabello Filho descreveu o primeiro caso relatado de carcinoma basocelular ocorrendo juntamente com uma infecção por paracoccidioidomicose. Objetivo: Apresentar o caso de um paciente de 42 anos, sexo masculino, trabalhador rural, com histórico de predisposição familiar à neoplasias, e abuso de álcool e drogas, que apresentou-se na clínica de estomatologia da Universidade Federal de Alfenas com queixa de “lesões dolorosas na boca e que não se curavam”. O exame clínico intra-oral permitiu a observação de uma erosão esbranquiçada com manchas arroxeadas na mucosa direita, formação de placa no assoalho da boca e nódulo assintomático de base séssil no ápice da língua, consistentes com uma ocorrência simultânea de 3 patologias bucais: paracoccidioidomicose oral, carcinoma de células escamosas e hiperplasia fibrosa inflamatória. Método: Para confirmação das hipóteses diagnósticas foram realizadas 2 biópsias incisionais no assoalho de boca e mucosa oral direita, e 1 biópsia excisional no ápice de língua, e a análise laboratorial das lâminas obtidas coradas com hematoxilina e eosina. Resultado: Após diagnóstico clínico, o paciente foi encaminhado ao infectologista e iniciou o tratamento antifúngico com itraconazol. Em relação ao carcinoma de células escamosas, o cirurgião de cabeça e pescoço optou por uma remoção cirúrgica. Atualmente, encontra-se em acompanhamento com os especialistas e é monitorado pela equipe de estomatologia da universidade. As consultas de acompanhamento demonstraram melhora nas áreas afetadas com o tratamento. O paciente assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Conclusão: Lesões de paracoccidioidomicose oral podem ser facilmente associadas à ocorrência simultânea de carcinoma espinocelular, especialmente em razão das etiologias semelhantes e ao sistema imunológico comprometido do indivíduo afetado. No entanto, ainda não existem estudos que estabeleçam uma correlação direta entre essas patologias e a hiperplasia fibrosa inflamatória.
