Aplicação de toxina botulínica em glândulas salivares para controle de sialorreia em paciente internado em unidade de terapia intensiva
Fernanda Ziviani SOUZA, Renata Cesário Laterza LOPES, Brenda Nicole Fernandes NOBRE, Davi Lorete SANTOS, Emanuella Nietto André NOVO, Diogo Toledo MATIAS, Maria Paula Siqueira de Melo PERES, Ciliana Rossato HAMZA
Resumo
Introdução: A sialorreia é um dos desafios enfrentados em pacientes internados em unidade de terapia intensiva, especialmente quando submetidos à intubação orotraqueal. Medidas xerostômicas (como atropina, propantelina e escopolamina), são utilizadas para o controle da sialorreia, prevenir complicações respiratórias (pneumonia aspirativa) e proteção de vias aéreas. Entretanto, em casos refratários, a aplicação de toxina botulínica nas glândulas salivares tem se mostrado uma alternativa eficaz. Objetivo: Avaliar a aplicação de toxina botulínica em glândulas salivares como alternativa terapêutica para o controle da sialorreia em paciente internado em unidade de terapia intensiva refratário ao tratamento com medidas xerostômicas. Conduta clínica: Paciente E.L.S., sexo masculino, 47 anos, internado na unidade de terapia intensiva em decorrência de tromboembolismo pulmonar após a realização de laminectomia torácica T1-T3, permanecendo em intubação orotraqueal. Como antecedentes pessoais: trauma raquimedular (2002), com tetraparesia espástica, bexiga neurogênica e siringomielia. Durante a internação, apresentou sialorreia importante e refratária, sendo optado então pela aplicação de Toxina Botulínica. Foi reconstituída em 02ml de soro fisiológico a 0,9%, e administradas 20 unidades em cada glândula parótida, utilizando agulha de 13mmx0,45mm 26G, e 30 unidades em cada glândula submandibular, com agulha de 30mmx0,70mm 30G, totalizando 100 unidades. O procedimento ocorreu sem intercorrências. Resultado: Duas semanas após a aplicação, o paciente encontrava-se em enfermaria, eupneico em ar ambiente, bom estado geral, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios com melhora do quadro de sialorreia. Conclusão: A aplicação de toxina botulínica mostrou-se segura e eficaz no controle da sialorreia refratária, favorecendo proteção das vias aéreas e sucesso da extubação.
