Pênfigo vulgar e seu manejo diferencial: relato de dois casos clínicos
Naiara Alves MAREGA, Elaine Maria Sgavioli MASSUCATO, Andreia BUFALINO, Analú Barros de OLIVEIRA, Mariana Paravani PALAÇON, Cláudia Maria NAVARRO, Jorge Squiché LEON, Túlio Morandin FERRISSE
Resumo
Introdução: O pênfigo vulgar (PV) é uma doença imunomediada, mucocutânea, de baixa incidência, que pode apresentar lesões em mucosa oral. Acontece que os autoanticorpos produzidos têm como alvo glicoproteínas dos desmossomos, causando uma fenda tecidual. As regiões mais afetadas são língua, mucosa jugal, mucosa labial, ventre da língua e mucosa gengival. Não há predominância de gênero e acomete principalmente pessoas com média de 50 anos. Objetivo: Relatar dois casos de PV e suas diferentes condutas terapêuticas. Metodologia: Caso 1 – Paciente masculino, 35 anos, com lesões na orofaringe, encaminhado para atendimento. Faz uso de anti hipertensivo e hipoglicemiante oral. Ao exame intraoral apresentava múltiplas ulcerações de leito avermelhado, bordas irregulares, muito dolorosas, associadas a áreas esbranquiçadas semelhantes a “vesículas rompidas”. Caso 2 – Paciente feminina, 45 anos, em uso de anticoncepcional, cálcio e vitamina D, relatou “feridas na boca” sem regressão. Ao exame intraoral observavam-se múltiplas ulcerações extensas, dolorosas, de bordas irregulares, com áreas esbranquiçadas sugestivas de “vesículas rompidas”. Ambos realizaram exame de G6PD para viabilizar uso de dapsona associada a corticoides. Ambos os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Resultado: No primeiro caso, o paciente já possuía laudo histopatológico; no segundo, foi realizada biópsia para diagnóstico. O tratamento com prednisona 10 mg associada a dapsona 100mg resultou em melhora no primeiro caso. No segundo, foi necessária prednisona 20 mg associada a dapsona 100mg, mantida após a remissão das lesões. Conclusão: O PV é uma doença autoimune, em que autoanticorpos contra desmossomos levam à formação de vesículas e ulcerações, comprometendo alimentação, fala e qualidade de vida. O uso de corticoides associados à dapsona reduz riscos de complicações sistêmicas, especialmente em pacientes com comorbidades como hipertensão e diabetes.
