Diagnóstico precoce de câncer bucal em paciente sem fatores de risco: abordagem conservadora e prognóstico favorável
Déborah Dayely Silveira de OLIVEIRA, Andreia BUFALINO, Cláudia Maria NAVARRO, Jorge Esquiche LEÓN, Marcelo Borges MARQUES, Nadini Spolaore de SOUZA, Elaine Maria Sgavioli MASSUCATO, Túlio Morandin FERRISSE
Resumo
Introdução: O câncer de boca é um problema de saúde pública devido ao diagnóstico tardio, que acarreta pior prognóstico e alta mortalidade. É o sexto tipo mais comum de câncer no mundo. No Brasil, segundo o INCA (2022), há a maior taxa de incidência da América do Sul e a segunda maior mortalidade. Acomete mais homens a partir da quarta década de vida. Os principais fatores de risco são tabaco, álcool e lesões potencialmente malignas, como leucoplasia, queilite actínica e líquen plano. A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais. O tratamento depende do estadiamento clínico e pode incluir cirurgia, radio e quimioterapia. O prognóstico está relacionado à ressecabilidade tumoral e comorbidades. Cirurgias extensas comprometem funções vitais e estética, exigindo reconstrução e reabilitação. Objetivo: Relatar um caso de câncer bucal em paciente sem fatores de risco e destacar a importância do diagnóstico precoce. Relato: Paciente leucoderma, 62 anos, sem doenças sistêmicas, não fumante, usuária de prótese total há 30 anos, referia áreas brancas sob a prótese há 3 meses, com dor local. Não removia a prótese para dormir. Ao exame, observouse placa branca verrucosa, não removível, com áreas eritematosas, em rebordo inferior direito e sulco labial. Realizou-se biópsia em duas áreas: posterior (hiperplasia verruciforme) e anterior (carcinoma espinocelular verrucoso). Encaminhada ao oncologista, realizou excisão cirúrgica com sucesso, sem necessidade de terapias adjuvantes. O TCLE foi assinado pela paciente. Conclusão: O caso evidencia a relevância do diagnóstico precoce, mesmo na ausência de fatores clássicos de risco, permitindo tratamento cirúrgico eficaz e preservação funcional.
