Análise bioquímica e medicamentosa de pacientes de transplante de medula óssea e suas repercussões endodônticas: um estudo transversal
Hugo Henrique dos Santos Dantas GUIMARÃES, Larissa Fassarela MARQUIORE, Caroline Rabelo CAMARGOS, Maria Elisa de Souza e SILVA, Warley Luciano Fonseca TAVARES
Resumo
Introdução: O tratamento endodôntico (TE) em pacientes de transplante de medula óssea requer conhecimentos específicos focados no conhecimento do perfil medicamentoso e bioquímico. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi realizar uma análise bioquímica e medicamentosa em pacientes de transplante de medula óssea. Método: Foi realizada coleta dos dados dos prontuários (prevalência de TE, fase do transplante, uso de medicações e exames laboratoriais) de 632 pacientes de transplante de medula óssea do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) que foram encaminhados à Faculdade de Odontologia da UFMG para tratamento odontológico. Resultados: Dos 632 pacientes analisados, 96 (15,18%) receberam TE, sendo 61 (63,54%) pacientes na fase pré transplante e 35 (36,46%) pós-transplante. O número, por paciente, de TE’s variou de 1 a 10, sendo 43% 1 TE; 8% para 2; 8% para 3 e 37% para 4; 3% para 5 e 1% para 10. Com relação ao uso de medicações dos pacientes que realizaram TE: 50 (52,08%) dos pacientes utilizavam antibióticos e antivirais, 46 (48%) imunossupressores, 35 (36,46%) hormônios e suplementos, 27 (28,12%) anti-hipertensivos, 23 (23,96%) protetores gástricos, 19 (19,79%) antidepressivos e ansiolíticos, 15 (15,62%) estatinas, 12 (12,5%) anti-inflamatórios e analgésicos e 23 (23,96%) usavam outros medicamentos. Sobre a análise das taxas bioquímicas e considerando os pacientes que receberam tratamento endodôntico, 25% estavam com o volume plaquetário médio (VPM) acima do valor de referência, 20,83% estavam com as hemácias acima, 17,71% com a hemoglobina e hematócrito acima do valor de referência. Considerando os pacientes com exames abaixo do valor de referência, tem-se 7,29% dos pacientes com valores baixos em Hemoglobina e Hematócrito, 5,21% em púrpura trombocitopênica trombótica (PTT). Conclusão: O conhecimento desses indicadores possibilita mapear o perfil do paciente e estabelecer estratégias para o planejamento integral da assistência odontológica e diferenciar o tratamento.